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VONTADE DE TOMAR CAFÉ

Man-in-Cafe-ParisAgarro a fumaça e sento ao lado de Rimbaud

Ele beija meu rosto meio enviesado e começamos

a  fumar o sagrado ósculo de Dionísio

A língua cresce e toco uma estrela no seu leito de morte

Meu ouvido sente o fétido hálito de Deus

Ele não fala francês. Fala mentiras, muitas…

Declara-me a absurda verticalização da Via-Láctea

e pede, pelo amor de Deus, que eu lhe mate,

e eu: concedo-lhe a morte beijando-lhe a ponta da língua.

Não resisto, sorvo a língua divina que pinta-me de amarelo.

E retomo a conversa com Rimbaud tomado em êxtase sagrado.

Então descemos pelo inventado septuagésimo anel de Netuno.

Do breu Absoluto no meio do Absoluto vem subindo Dante.

Ele nos olha pelos ombros, com desdém, nos ignora como um funcionário público.

Virgílio mais embaixo lamenta a eternidade e trocamos uma palavra sobre as solidões.

O Diabo, desempregado, necrófilo, belo, em queda livre abusa do cadáver branquíssimo de Deus e chora.

Na esquina mais a frente paramos pra tomar um café.

Escrevo uns versos e Rimbaud rasga todos, cospe em mim.

Eu choro e ele bebe minhas lágrimas. Eu reescrevo e rasgo.

Passo a língua no olho direito de Rimbaud e prometo morrer também.

Wécio P. A.

Professor do departamento de Serviço Social da UFPB

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