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Poemata 

 

O REBOQUE DA CHUVA

 

Enquanto você for criança

Os animais vão te caçar

Girando com cores que se pegam

Forçando parques a nascerem em todo o lugar

Cheirando as sombras das árvores

Amarrando pêlos nos orvalhos

 

Uma fauna inteira de nossos desertos

Querendo se alimentar do que foi beijado

Todos olhando para você sem fim!

Quintais emocionados entrando pela janela

Para dizer “Eu estou feliz que a vida existe”

 

Desembarcando girassóis

Nos ventres dos que se amam

 

Deixando a cama suada

Antes de abrir os olhos

 

Colhendo mãos para cantar

Colhendo mãos para cantar

 

A levitação é proibida

Para mentes pobres e sem folhas

Enquanto você for criança

Eu lembro de viver para sempre.

 

 

 

O CÉU DO DESASSOSSEGO

Quando nascemos o sol intenso

Curou nossos cordões umbilicais

E nossos amores se olharam com pavor

A bolsa rompida no chão atraía vagalumes

E canções de animais

Já te adorava sem nenhum pelo

Libertava-me queimando as enfermeiras

Quando nascemos nossa obsessão se tornou bonita

Tínhamos que saber que éramos um do outro

Tínhamos que abandonar nossas mães chorosas

A força e o precipício em dois corpos se tocando

E um caminho novo

Iluminava nossas pétalas e sangues

Voávamos sem medo

Muito perto de fazer outro filho

Isso com apenas um dia de nascidos

Helicópteros nos procuravam

Girávamos com nosso amor

Grande era a paixão que abandonava as outras vozes

Temos libertações nos abraços

Rimos dos fetos e nos beijamos

Estávamos nas nuvens quando nos casamos

Uma raposa e uma arara foram as testemunhas

As baleias correrem para os motéis

Assim, eu e meu amor dominamos os mares

Por séculos

Éramos conhecidos coo os sereios apaixonados

Nosso cinismo nos salvava

A marinha brasileira ergueu uma religião

Em nossa homenagem

Sorvetes tinham nossos rostos desenhados

Mas ninguém sabia, exceto o Macaco Louco

Das Meninas Super-Poderosas

Que nosso amor doentio desafia as selvas

E os olhos em fogo dos homens

Quando se desafia o destino, tem que se pagar um preço

Mas nunca nos separamos

Nem quando fizemos um “triozinho” com o Saci Pererê

Nosso coração era horrível

Sempre quisemos nossos lábios juntos sem saliva

Nenhuma palavra explica nossas mordidas

E danças de carinhos

Dentro dela eu respiro

E eu sou o ar

Que a violência lhe deu

Que as ondas lhe deram

Ao final, somos nosso destino

Imagem: Jacek Yerka

 

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Fotografia por Wênio Pinheiro Araújo (1N1) de Manassés Diego.

 

 

 

REVISTA PHILIPEIA – ISSN: 2318-3101

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No início de 2015 a Revista Philipeia lançou o projeto “POEMATA”, para a cada fim de semestre publicar material de poetas paraibanos sem livros publicados. Se você escreve, e gostaria de publicar algo, envie material para revistaphilipeia@gmail.com.

Autores selecionados:

Poemata I: Básia Lucena (JP-PB)

Poemata II: Manassés Diego (JP-PB)

 

 

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