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CINCO POEMAS DE MASHA KALÉKO*

Kaleko_Beitrag

Tradução e notas: Ana Monique Moura*

 

 

 

COMO É FELIZ O PESSIMISTA

 

Como é feliz o pessimista,

Quando algo corre mal

E todo o mundo também está mal

Para ele fica o consolo: Ele tinha razão!

 

Um sombrio portador de visões incuráveis

Ele não acredita mais em “livre arbítrio”

 

Crentes sim são os otimistas

Sejam eles muçulmanos, judeus ou cristãos.

E antes chegam todos salvos

No reino celeste de deus

Então diz o otimista: “porque”

O pessimista “ainda que”

 

 

 

DE VIAGEM

 

Eu viajo outra vez

Com minha silenciosa

companheira, a solidão.

 

Nós estamos a duas sozinhas

E juntas não teremos nada depois em comum

Como esta união

 

O estrangeiro é consolo e alívio

E engano como tudo. Enquanto dura

Parece apenas sonho e solidão.

 

 

 

ÁLCOOL PROIBIDO

 

Tão só

É nenhum

Como um,

Que tudo só é.

Quando um está com o vinho

Ele já está a dois.

 

 

 

DO SABER

 

Se pode-se uma vez saber,

Sabe-se também, que se sabe,

E melhor que não soubesse.

Mas é tarde demais.

Já se sabe, que também

A esperança nunca mais,

Nunca mais descansa, nunca mais,

Assim também por sobre o mar,

Cujos veleiros

Que ainda não sabem,

Ainda algo sabem,

Que algo

Para saber

Há.

 

 

 

UM POETA

 

Um poeta, quando vive,

Não tem nada para sorrir.

Com poetas mortos se deixa muito por fazer.

 

 

 

Tradução realizada do alemão para o português. Os poemas foram extraídos da obra póstuma intitulada “In meinen Träumen laütet es Sturm”, publicado pela DTV (Deutsche Taschenbuch Verlag) em 1977. 

* Masha Kaléko nasceu em 1907 na Polônia. Filha de pai judeu russo e mãe judia austríaca. Seus pais imigraram para a Alemanha, onde ela teve sua formação intelectual. Masha Kaléko esteve constantemente associada ao Novo Realismo literário da República de Weimar, como reação ao Expressionismo de escritores como Geog Heym, Ernst Stadler e Georg Trakl. Antes da ascensão do Nazismo, dentre seus leitores declaradamente entusiastas estava Martin Heidegger. Publicou em vida uma dezena de livros de poemas. Durante a lamentável eminência da 2ª Guerra Mundial, seus poemas foram proibidos de circulação no terceiro Reich e seus escritos foram queimados. Ela se exilou primeiramente em Nova York, onde viveu até 1937. Em 1938 mudou-se com o marido para Jerusalém. Morreu em 1975, quando estava na Suíça.

* Doutoranda em Filosofia pela UFPB e HGB (Leipzig, Alemanha).

 

 

 

 

CRONOLOGIA

 

7 de junho de 1907

Golda Malka Aufen, chamada Mascha, nasce em Chrzanów (Polônia).

 

1914

A família emigra para a Alemanha, o pai é preso por causa de sua nacionalidade russa.

 

1929

O primeiro de seus poemas foi publicado no jornal “Querschnitt”. A isso segue outras publicações em outros jornais como o “Vossische Zeitung” e “Berliner Tageblatt”.

 

Janeiro de 1933

O primeiro livro de Masha Kaléko, “Das Lyrische Stenogrammheft“, é publicado em Berlim e elogiado com entusiasmo por Martin Heidegger.

 

1935

Mascha Kaléko perde o emprego de escritora com a ascensão do Nazismo.

 

Setembro de 1938

Mascha Kaléko se muda para Nova York através de Hamburgo e Paris para escapar dos nazistas.

 

Setembro de 1939

Em exílio publica em um jornal de migrantes de língua alemã “Aufbau”.

 

1940

Enfrenta grandes dificuldades nos Estados Unidos, sobretudo porque escreve apenas em alemão e muitos não entendem a língua. Com isso, fica em condições paupérrimas. Chega a escrever o mote: “Geld haben ist nicht schön. Aber Geld nicht haben ist schrecklich.“ (ter dinheiro não é bonito, mas não ter dinheiro é terrível)

 

20 de novembro de 1944

Depois de seis anos nos Estados Unidos ganha cidadania norte-americana.

 

1945

Seu poema “Verse für Zeitgenossen” (Versos para contemporâneos) aparece no Schönhot Verlag.

 

31 de dezembro de 1955

Realiza sua primeira viagem à Alemanha após a Segunda Guerra Mundial.

 

Maio de 1959

Rejeita o Prêmio Fontane porque o membro do júri é Hans Egon Holthusen, que fazia parte da SS (Exército Nazista).

 

21 de Janeiro de 1975

Morre em Zurique, Suíça.

 

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Revista Philipeia

CRÍTICA + INFORMAÇÃO + ARTE

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ISSN: 2318-3101

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