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morte do intelectual *

Diego Guimarães*

john-h

[aos condenados por serem poetas]

afeito a catálogos, o intelectual – o do título e de títulos – defende totalidade e consenso. sem vento no rosto de cera, ele caminha numa esteira, seguro com o seu script: só se sai do caminho mecânico através do caminho mecânico. o intelectual não caga.

não caga e tampouco é suscetível a uma revolucionária diarréia: nele nada há de visceral. máquina estripadora e sem vísceras, é o título ao qual ele melhor faz jus.

contra o intelectual,

o pensador.

[frente às portas fechadas,

abrir janelas]

o pensador busca mais dissenso do que consenso; ele não se contenta com conversar entre iguais, ao invés, persegue conversar entre não-iguais: visa o diálogo ao invés do monólogo. o pensador caga e anda, caminha sem caminho, com vento na face e possibilidade de remela nos olhos.

se uma máquina, o pensador é uma máquina de vísceras: torna tudo visceral. clandestino, sem rosto e sem status, é visceralmente que ele pode desferir um golpe de misericórdia no intelectual.

[sou palco de pelejas: intelectual e pensador digladiam em mim. a máquina estripadora precisará ser lembrada para quedar bem enterrada. que permaneça a sete palmos, praga]

Imagem: Montagem Dada por John Heartfield.

* Autor de enfrentamento (2015), livro de poemas publicado de maneira independente, artesanal e de impressão sob demanda. Mais informações em http://www.selobarato.wix.com/selobarato/enfrentamento. E-mail: diegoguimafil@gmail.com.

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Revista Philipeia

CRÍTICA + INFORMAÇÃO + ARTE

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ISSN: 2318-3101

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