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A PRIMAZIA CULTURAL DA PARAÍBA

 

Cleanto Gomes Pereira

A Paraíba se destaca mais no campo cultural e artístico que pela ceifa do seu algodão ou da cana de açúcar, com o brilho de seus filhos egrégios e suas obras imortais, ocupando, nesse aspecto, uma comprovada e singular primazia entre todos os estados nordestinos.

Tamanha distinção, apesar de pouco difundida e festejada, é a facilmente aferida, pelo menos numa comparação numérica e qualitativa de celebridades literárias, consagradas nacionalmente, desde a colonização, entre as unidades federativas do Nordeste.

O Maranhão, por exemplo, entra no insigne páreo com Gonçalves Dias, Humberto de Campos, Artur e Aluísio de Azevedo, Catulo da Paixão Cearense, Coelho Neto, Graça Aranha, Ferreira Gullar e Josué Montello, autores antológicos da literatura pátria. O Piauí, nenhum nome ofereceu, salvo engano, até hoje, ao cenários das letras nacionais, enquanto apenas, desse naipe, José de Alencar, Capistriano de Abreu, Farias Brito, Raquel de Queiroz, Clóvis Bevilácqua e Araripe Júnior exibem a naturalidade cearense.

O Rio Grande do Norte figura no cotejo com quatro legendas de irrecusável peso: Câmara Cascudo, Seabra Fagundes e os jornalistas Murilo Melo Filho e Gaudêncio Torquato. De Pernambuco sobressaem Joaquim Nabuco, Gilberto Freyre, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Barbosa Lima Sobrinho e Eduardo Portella, ao passo que Alagoas ostenta, nesse nível, os notórios Graciliano Ramos, Pontes de Miranda, Jorge de Lima e Elísio de Carvalho. Sergipe, de outro lado, elenca, tão somente, Sílvio Romero, Gilberto Amado e o filósofo Tobias Barreto. Já os baianos comparecem à liça com os fulgurantes Gregório de Matos, Castro Alves, Ruy Barbosa, Jorge Amado, Pedro Calmon e João Ubaldo Ribeiro.

A nossa “pequenina e heroica”, da eloquente prosa alcideana, palmilha o gramado do certame, queiram ou não, com um time de luminares bem mais numeroso e reconhecido em todo o país: Pedro Américo, Padre Rolim, Epitácio Pessoa, Augusto dos Anjos, José Lins do Rego, José Américo de Almeida, Celso Furtado, Assis Chateubriand, Pereira da Silva, Osvaldo Trigueiro de Albuquerque, Alcides Carneiro, Ariano Suassuna, Órris Soares, Flósculo da Nóbrega, Aristides Lobo, Paulo Pontes, Geraldo Vandré, Maciel Pinheiro, entre outros.

Contudo, a despeito de tão gloriosa representação de nossa inteligência criadora e de recentes e meritórias ações do governo estadual, com empreendimentos como a restauração da Ponte de Batalha, do Engenho Corredor e a prevista revitalização do Centro Histórico, persiste uma flagrante dívida com a conterrânea e proeminente constelação cerebral.

É que ainda não erigiu a prefeitura da Capital o monumento referencial a Augusto dos Anjos, de corpo inteiro, sobre alto pedestal, numa de nossas praças principais, nem conferiu o nome de Celso Furtado ou José Lins do Rego a qualquer das grandes avenidas pessoenses, tampouco instalou o museu da cidade no solar da Praça da Independência, onde morou o presidente João Pessoa, portanto, num pungente desperdício do valoroso privilégio que tanto orgulha nossa paraibanidade.

Imagem: Domínio Público

Texto originalmente publicado no Jornal Contraponto (23-29 de outubro de 2015).

 

Revista Philipeia – Ano V – Edição 17 

Parahyba, Brasil – 2017

ISSN 2318-3101

 

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