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POEMAS DE ROMÉRIO RÔMULO

 

Perguntas a Murilo Mendes

se eu me manchar de palavras

o que sobra do texto?

meu raro entrave?

minha alquimia?

meu passado andaluz?

minha vida crua

pulsa no texto

ou é mais um quilate de pedra?

sou denso e neutro?

leve e ávido?

quando posso saber

se a palavra é nada?

pelo teu olho?

pelo teu faro?

do teu espanto?

vou pisar nas ruas

e beber meus extratos.

fala, Murilo!

Murilo Mendes (Domínio Público)

 

 

Sinto, Marília, dizer

sinto, Marília, dizer

se eu caminho, marília

nas estradas de ouro preto

sinto teu olho rasgar

o lacre da minha carne

sinto o duro e permanente

viés com que interrogas

meus estratos seminais

que só pulsam do teu lado

sinto, marília, dizer

que no teu olho apagado

acabo de anoitecer

num mundo vitrificado

na morte mais indizível

de que alguém quer morrer.

Romério Rômulo é poeta e professor de economia política da Universidade Federal de Ouro Preto.

 

Revista Philipeia – Ano V – Edição 17 

Parahyba, Brasil – 2017

ISSN 2318-3101

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