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BEVENUTO CHAVAJAY

 

Séverine Grosjean

Benvenuto Chavajay é um artista Tzutujil cujo trabalho se concentra em especial sobre o “feridas” da Colônia e, mais geralmente, na presença do passado no presente. Ele se aproxima de suas raízes como uma afirmação de sua herança indígena. Influenciado pela teoria da descolonização que desde mais de vinte anos ocupa o cenário latino-americano, Benvenuto trabalha com a fotografia, os objetos derivados e a instalação como testemunhas de uma história, de uma memória e mais de uma identidade. Seu trabalho é uma reivindicação, uma reivindicação de suas origens. A sociedade guatemalteca é uma sociedade que ignora o índio, em seguida, pelo seu trabalho oferece uma Voz. Ele embarca em sua obra a análise do sociólogo peruano Aníbal Quijano, sublinhando a forma como a colonização das Américas desempenhou um papel crucial na gênese do sistema mundo moderno cuja matriz colonial do poder é central nas relações sociais.

Falar de descolonização pela arte é questionar a descolonização do conhecimento, a transferência de conhecimento, a circulação de ideias e perguntar o que aprendemos, o que podemos aprender com o Outro independente de quem ele é e de onde ele vem. Esta atitude implica uma nova revolução e a escrita de outras narrativas. O trabalho de Benvenuto, os “Chunches” centra-se em objetos sem importância da memória coletiva. Reconhece nos “Chunches” outro valor, transpareceu com o sagrado. Objetos de lembrar. No caso de sua obra intitulada “Retorno” quatro Bíblias em língua castelhana e linguagem Tz’utujil são cobertas com tinta na cor de milho. Para Benvenuto, este gesto simbólico limpa e cura um passado doloroso. Na linguagem Tzutujil a palavra “arte” não é usada, mas a palavra Q’OMANEL que significa “curar” como ilustrado pela sua obra “sem título” com uma pedra estetoscópio. Em seus projetos compostos, chinelos, pedras ou pistoletas, são metáforas desse confronto entre dois mundos que não se conhecem, mas coexistem. Esses objetos híbridos permitem visualizar uma dimensão criativa de uma Anunciação: o retorno aos elementos essenciais da cultura indígena como define a sua colaboração com Don Feliciano, o escultor de sua comunidade. Segundo Benvenuto, Don Feliciano dá vida à pedra, dando-lhe uma forma. Benvenuto, ele procura da alma.

É a alma e a história dos antepassados que Benvenuto pretende transmitir quando decide fazer uma tatuagem representou o seu verdadeiro nome “Ch’ab’aqjaay”, que foi simplificado para o espanhol como “Chavajay. Ter essa tatuagem é uma forma de reconhecer-se a si mesmo. Assim, pelo seu trabalho, ele tenta levantar as camadas que obstruem o passado indígena, pois, Benvenuto Ch’ab’aqjaay quer dar uma segunda chance à história.

*Séverine Grosjean é curadora e crítica de arte francesa.

 

Revista Philipeia – Ano V – Edição 17 

Parahyba, Brasil – 2017

ISSN 2318-3101

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