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HORÁCIO DE ALMEIDA E SEU “DICIONÁRIO POPULAR PARAIBANO”

 

Cleanto Gomes Pereira

Diferentemente de outros estados nordestinos, a exemplo do Ceará e de Pernambuco, onde proliferam os chamados dicionários regionais sobre a linguagem popular do torrão nativo, a Paraíba sempre foi indiferente a esse gênero de pesquisa, a despeito da riqueza de modismos, expressões idiomáticas e reações singelas e coloquiais de nosso povo, muito fértil mesmo nessa variante da interação humana.

Leon Clerot, um paraibano adotivo, foi quem primeiro resgatou nossa gente dessa apatia sociológica com seu “Vocabulário de Termos Populares e Gírias da Paraíba”, editado em 1959, em cujas páginas, mal sistematizadas, revela, no entanto, um acurado esforço de refletir e interpretar a oralidade de nosso hinterland.

O idioma, como todos sabem, é um meio de comunicação vivo e as palavras como células desse instrumento estão sempre se renovando sugerindo novos sentidos e significados diferentes até em regiões de um mesmo país. Esse um fenômeno irrefreável, afinal capaz de criar um sem número de dialetos desiguais, inclusive entre regiões confinantes.

Na tarefa árdua e minudente de coligir gírias e expressões de uso corrente na linguagem prosaica do homem comum, dando-lhes inteligível étimo e conotação, ninguém mais se esmerou, com magnífico e irretocável compêndio, intitulado “Dicionário Popular Paraibano”, publicado em 1978, que o notável escritor, jornalista e historiador paraibano Horácio de Almeida, natural de Areia e radicado, por longo tempo, no Rio de Janeiro, até falecer em 1983.

Convivendo no Rio, com expoentes da literatura brasileira, além da obra interessante e necessária à compreensão de nossa identidade gentílica, publicou esse prodigioso dicionarista, na então capital da República, muitas outras de reconhecido valor, como “Contribuição para uma bibliográfica paraibana”; “Dicionário de termos eróticos e afins” e “História da Paraíba, uma completa e didática enciclopédia historiográfica”.

Além do exemplo marcante e íntegro de homem público era Horácio de Almeida um virtuoso e elevado espírito, ainda assim lembrado por raros e sobrevivos contemporâneos.

©

Excerto de texto publicado originalmente em Jornal Contraponto. João Pessoa, Paraíba. 12-18 de agosto de 2016.

 

 

Revista Philipeia

Ano VI

ISSN: 2318-3101

Parahyba, Brasil

 

 

 

 

 

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