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AMÉLIA THEORGA AYRES

ÍCONE DA PINTURA CONTEMPORÂNEA NA PARAÍBA*

 

Marinalva Freire da Silva*

 

Amélia Theorga Ayres (carinhosamente, chamada Amelinha), nasceu na cidade de Mamanguape, Estado da Paraíba, no dia 29 de julho de 1907, filha do casal José Theorga e Eutália de Assis Theorga.

Exímia pintora, na década de vinte (séc. XX), conforme registro na Revista Nova (1921-1924), manteve ateliê na cidade, atuando como uma das primeiras artistas mulheres. Em 1924, participou com suas paisagens ao lado de artistas como Frederico Falcão, Voltaire D’Ávila, Pinto Serrano e Olívio Pinto, do Salon Philipeia (no que é a Academia de Comércio de João Pessoa), certamente, o primeiro grande evento do fênero e que teve ampla repercussão nos jornais locais. Na verdade, estes artistas não se uniram apenas para mostrar suas 118 pinturas, mas sim para um ato de desagravo contra a obra pictórica de Joaquim do Rego Monteiro, mostrada três meses no hall do Jornal A União.

Esta mostra teve forte tendência regionalista, foi denominada Salon Philipeia em resposta à exposição do artista pernambucano Joaquim do Rego Monteiro, que acabara de trazer à Paraíba os primeiros exemplos da pintura moderna.

Realmente, o que predomina neste Salon é a paisagem ao invés de algum sopro modernista que já surgia no Recife. O mar e seus coqueirais, além das cenas urbanas, refletem a opção por temas bucólicos e atestam o isolamento vivido pelas artes plásticas da província, o que vai perdurar até a década de 1950. Realmente, “a Paraíba não participou do ideário modernista a não ser na literatura com a presença de José Américo de Almeida e José Lins do Rego”.  (ZACARA, 2009, IN artesvisuaisparaiba.com.br/hist1030.php-9k).

Amélia Theorga Ayres participou de várias exposições de pintura tanto individual como em conjunto. É autora de mais de 20 telas as quais lhe proporcionaram homenagens dentro e fora do Estado da Paraíba. Foi cognominada “uma paisagista do mar”. Seus quadros falam à alma e traduzem o grau de sensibilidade da qual era dotada.

Fátima Bezerra Cavalcanti, tratando das mulheres de todos os povos, regristra em sua excelente obra Guiadas pela justiça e movidas pela fé (2012;304) que “(…) Amélia Theorga é a melhor nas artes plásticas da Paraíba, entre os anos 1920-1930, marcando o ingresso da mulher tabajara no universo notadamente assentado pela presença masculina”.

A violência dos contrastes entre as diferentes regiões fisiográficas da Paraíba acaba formando uma espécie de cenário exótico em que a beleza irrompe numa explosão irracional. As flores da jurema, quando se abrem no alto dos galhos espinhosos, criam uma orgia de alvura, que termina contagiando a vegetação retorcida do sertão. E há sempre uma capela ao fundo, como evocação de divindade naquela desolação florida. Desolação transformada pelo encantamento vegetal e pela fé das pessoas, que não se deixam vencer pela aspereza em torno.

 

Algumas atividades artísticas de Amélia Theorga Ayres

 

Exposição de Pintura, individual, na Livraria Casa Andrade (1921)

Exposição de Pintura, em conjunto, no salão da “União” (1922)

Exposição de Pintura, individual, no salão da “União” (1923)

Exposição de Pintura, individual, no salão da “União” (1925)

Exposição de Pintura na residência do casal Adrião Pires, por ocasião do lançamento do livro “Fruto da terra”, do cronista Antônio Freire (1969)

Participação na exposição “50 Anos de Pintura na Paraíba”, patrocinada pelo Museu de Imagem e Som (Hall da reitoria universitária, 1971)

 

Sequência dos Títulos das obras publicadas

 

  1. Sobre as ondas
  2. Recanto da floresta
  3. Árvores amigas
  4. Os solitários
  5. Marinha
  6. Cabo Branco
  7. Cachoeirinha
  8. Manhã sertaneja
  9. Tarde à beira-mar
  10. Velhas árvores
  11. Reflexos
  12. Beijo das ondas

 

 

* Este texto foi extraído e editado a partir da obra “Amelinha Theorga Ayrires, a paisagista do mar”, de Marinalva Freire da Silva, publicado pela editora Ideia, em João Pessoa (2014).

* Doutora em filologia românica pela Universidade Complutense de Madrid (Espanha). Professora Titular da UFCG.

 

 

Revista Philipeia

Ano V

ISSN: 2318-3101

Parahyba, Brasil

 

 

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