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POEMAS DE YOLANDA QUEIROZ*

 

 

 

SEM REMÉDIO

Está acumulada em minha concepção

O langor da tristeza de minha alma,

Da tristeza que nunca tem reação

E que transborda, fere, dói e desalma.

 

Ela é sucesso sem tino e oposição,

É algo que frui de meus poros sem calma.

Independe do meio da situação,

Machucando-me no amargor ou na palma.

 

Vem de dentro. Meu sentimento é interno.

Sinto no peito indizível inverno,

Minha tristeza é orgânica, é dor e é tédio.

 

Não sei se provenho de antigas sortes,

Se tive várias vidas e mortes,

Ou se é o meu carma abrindo-se sem remédio.

 

 

 

MEU BREJO

Me enganei, meu Brejo. E, como dói o meu engano!

Deixei teu solo amante por outra terra,

Uma gleba que não vale a tua serra

Nem o meu sonhar tornado em desengano.

 

Estou triste, meu Brejo, em meu peito insano

Um atroz desapontamento se aferra…

Este novo torrão o meu sonho não encerra,

Nem tem o teu ar acolhedor e humano.

 

E agora, meu Brejo, que fazer agora?

Para ti, talvez, nunca mais hei de voltar,
Nem terei outros ares amigos para amar.

 

Entretanto, na minhalma tristonha, chora

Uma saudade dolorida e irresistível

De ti, ó meu Brejo tão remoto e inesquecível

 

CADÁVER DO PASSADO

Na vida não há nada mais certo

Do que o atro cadáver do passado,

Aquele instante fugaz e incerto

Que em saudade logo é transformado

 

De que serve um ideal desperto

E em doce sonho, sintetizado,

Se tudo escorrega presto e aberto

Em algo sem jeito, inanimado!

 

Para que, deveras valorizar,

Contentamento, esperança ou pesar,

Se tudo perpassa de repente!

 

No mundo veloz e passageiro

Nada é genuíno e verdadeiro,

Tudo é apenas mero e indiferente.

 

NÃO IMPORTA

Verso meu, ninguém nos ama no mundo.

E eu, tua autora tão desiludida

Tenho apenas por alvo nesta vida

Amar-te com amor suave e fundo.

 

Amo-te, pois em meu peito profundo

Estás, e sofres comigo o ai da vida,

Descrente da voz maldosa e fingida

Que expele a boca trágica do mundo.

 

És como eu, pobre, triste e desvairado,

Tenho apenas um estro angustiado

Que nos gasta, porém não nos afasta.

 

Não nos amam? A vida não está morta!

A crítica que não houve, não importa,

Pois, tens-me e eu tenho-te, isto só nos basta!

 

©

Revista Philipeia

Ano V

ISSN: 2318-3101

Parahyba, Brasil

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