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A revista Philipeia expõe a série de curadorias realizadas na Galeria do Casarão da Pólvora, como registro importante especialmente para as pessoas que se interessam em entender o que acontece no espaço ou em pesquisar sobre os trabalhos lá divulgados.

 

TRANSLÚCIDAS

Abril de 2018

Sidney Azevêdo*

 

 

O conjunto das imagens que constituem esta mostra coletiva transcende o imediatismo da visão, nos desperta um voyeurismo sofisticado ao modo Duchampiano, num vislumbre silencioso e intenso. Devemos, portanto, nos aprofundar nas nuances de cada impressão que nos estimulam o espírito em primazia e o olhos por consequência, munidos de percepção integral da Natureza do feminino para além de Eros e de Thanatos. Esta instalação fotográfica tem como fio condutor o sagrado intrínseco aos reinos elementares do fogo, da água, da terra e do ar, culminando na quintessência etérea que permeia toda materialidade corpórea elaborada pelas quatro artistas aqui reunidas, tecendo juntas esta alquímica teia nos meandros de seus labirintos corpo-mente.

As coincidências significativas que observamos no cerne conceitual dessas dezesseis fotografias especialmente sincrônicas, impressas sobre tecido, narram as imersões fenomenológicas e metafísicas que caracterizam os trabalhos dialógicos de Li Vasc, Isis Mariana, Luiza Bié e Geissy Reis. Suas narrativas explicitam com tal realismo fantástico as sutilezas do arquétipo feminino, tanto em seus aspectos luminosos quanto sombrios, nos fazendo recordar afinal que a anima e o animus nem sempre se desnudam por completo diante dos que ainda se encontram em processo de individuação. Essas mulheres que correm com lobos nos convidam a imergir na ideia da uma corporeidade feminina heterodoxa, tanto do ponto de vista de sua sacralidade quanto no concernente à percepção expandida das personas sociais que esta assume na ritualística cotidiana, cujo domínio da chave nos possibilita adentrar as portas sublimes que velam os segredos de cada uma, sejam elas autorreferentes ou alusivas ao sonho da alteridade. Li Vasc nos remete ao fogo do devaneio indomável. Isis Mariana é a tempestade aquosa da alma em transmutação. Luiza Bié nos embriaga com a fragrância pura da terra aflorada. Geissy Reis é o poder telúrico do feminino transpassando todo o orbe. Ao fundo da perspectiva nos deparamos com a síntese quintessencial do enigma da Grande Arte: decifra-me ou te devoro.

 

©

* Sidney Azevêdo é mestre em Artes Visuais, curador e crítico de arte. Manteve a direção do Casarão da Pólvora na capital paraibana.


Revista Philipeia

Ano VI

Edição de Inverno

ISSN: 2318-3101

Parahyba, Brasil
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